Tudo o que não é o modelo
Quem executa, quem aprova e quem responde em cada etapa; o ponto de consequência; as dez peças em volta do modelo; e a fronteira de confiança onde tudo é conferido.
Resumo da aula
- Pessoas, modelos, agentes e automações executam bem coisas diferentes, mas só pessoas respondem.
- A matriz de responsabilidade torna isso explícito, linha a linha, e os pontos de consequência dizem onde fica a aprovação, com uma pessoa que sabe o que está aprovando.
- O assistente de Helena não errou sozinho: errou num desenho em que ninguém tinha dono.
Neste artigo
- Ninguém tinha escrito quem fazia o quê
- Quatro executores, e só um responde
- A matriz de responsabilidade
- A triagem redesenhada
- O ponto de consequência
- A folha da Lia: o robô é a folha inteira
- Dez peças em volta de uma caixa
- O modelo onde a incerteza é tolerável, e só lá
- A fronteira de confiança
O artigo é lido por partes. Use os botões abaixo para avançar — a aula em vídeo e o material de apoio ficam no curso, e o método completo, no livro.
Perguntas frequentes
Quem é responsável quando um assistente de IA comete um erro?
Sempre uma pessoa com nome, porque só pessoas podem ser cobradas. Modelos, agentes e automações podem executar etapas, mas não respondem por elas, e isso não é uma limitação técnica que o próximo modelo resolverá. O livro adapta a matriz RACI para uma matriz de responsabilidade com quatro colunas: executa, aprova, responde e é informado. Três regras a tornam útil: toda linha tem exatamente um responsável, que é uma pessoa; máquina pode executar ou ser informada, nunca aprovar nem responder; e, nos pontos de consequência, quem executa não é quem aprova.
O que é ponto de consequência num sistema com IA?
É a etapa depois da qual um erro deixa de ser interno e alcança alguém de fora, ou fica difícil de desfazer, como enviar, pagar, publicar, apagar ou decidir sobre a vida de alguém. O desenho do sistema decorre dele: tudo o que vem antes pode ser rápido e automático, porque o erro ainda é barato, e imediatamente antes fica a aprovação, com uma pessoa que sabe o que está aprovando. No caso do livro, a triagem de um escritório mandou resposta cordial a quem litigava contra um cliente da casa, porque a redação acontecia antes da checagem de conflito e ninguém aprovava o envio.
O que é fronteira de confiança e por que a saída do modelo deve ser conferida?
Fronteira de confiança é a linha, num diagrama, em que o dado muda de nível de confiança. Fora dela fica o que você não controla: a mensagem de quem escreve, a página da internet, a resposta de um serviço externo e também a saída do próprio modelo. Dentro fica o que o sistema trata como verdadeiro, como o banco de clientes e as políticas. Tudo o que cruza para dentro é conferido na travessia. O modelo é um componente seu, mas com comportamento que você não garante, e por isso a saída dele é validada contra um contrato antes de virar registro, e o rascunho passa por uma pessoa antes de sair.
Ir direto para outra aula
- 1 A segunda onda
- 2 Do chatbot ao sistema que executa
- 3 Tudo o que não é o modelo
- 4 O contrato entre máquinas
- 5 O que a IA precisa saber
- 6 O modelo nunca aperta o botão
- 7 Achar pelo sentido
- 8 Prova com consulta
- 9 O que mora entre os documentos
- 10 A fonte vencida e o teste que sabe falhar
- 11 O agente e quem diz que ele terminou
- 12 Um processo que cabe num desenho
- 13 Peça ao modelo só o que só ele sabe
- 14 Dividir o trabalho, dividir o erro
- 15 Aprovar não é olhar
- 16 Um jeito de desfazer
- 17 Até onde o erro alcança
- 18 Quem acorda de madrugada
- 19 A fatura e o registro
- 20 Quando ninguém estiver calmo
- 21 Automação que erra igual e avisa
- 22 Todo texto pode soar como ordem
- 23 Um agente sem nome próprio
- 24 O dado que nunca precisou chegar
- 25 O sistema inteiro