Para que você foi feito
Duas perguntas que o mundo finge serem a mesma. Frankl e o porquê que sustenta o como, a vida como dom e não como acaso, o bem feito em segredo, Freud sentado à mesa e a peneira que separa o mistério legítimo do pseudomistério.
Resumo da aula
- A pergunta que organiza a vida não é “o que eu quero?”, mas “para que eu fui feito?”.
- Frankl mostrou no campo que quem tem um porquê suporta quase qualquer como, e que a felicidade chega de lado, quando se persegue algo maior.
- A convicção do autor é que a vida é dom, e por isso o sentido se descobre, não se fabrica.
- A fé madura se prova no bem feito em segredo e aguenta pergunta, inclusive a de Freud.
- Diante do sagrado de conveniência, a peneira pergunta se aquilo pede algo ou só promete.
Neste artigo
- As duas perguntas
- A gratidão bate numa porta
- Frankl: quem tem um porquê
- Se a vida é dom, o sentido já estava lá
- O bem feito em segredo
- Freud sentado à mesa
- A peneira do sagrado
- Mistério legítimo e pseudomistério
- A onda não é o mar
- O essencial é invisível: não é sobre você
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Perguntas frequentes
Qual o sentido da vida segundo Viktor Frankl?
Frankl, psiquiatra vienense que sobreviveu a quatro campos de concentração, entre eles Auschwitz, notou que quem resistia guardava um porquê: um filho, uma obra inacabada, uma missão. Da frase de Nietzsche tirou o resumo: quem tem um porquê para viver suporta quase qualquer como. E acrescentou que a felicidade não se persegue de frente; acontece de lado, quando se persegue algo maior que ela. Frankl diagnostica o vazio, mas não diz qual sentido. O autor vai além, como convite: a vida é dom, não acaso, e por isso o sentido se descobre, não se fabrica. Daí a frase de Rick Warren que abre a aula: não é sobre você.
Como responder à crítica de Freud à religião?
Em O Futuro de uma Ilusão, de 1927, Freud tratou a religião como invenção do desamparo, o desejo infantil de um Pai poderoso projetado no céu. A aula não foge dele: faz a acusação trabalhar. Se a fé fosse só consolo, por que produziu mártires que escolheram a fogueira quando negar salvaria a pele? Se fosse só fuga da realidade, por que conventos que rezavam fundaram os primeiros hospitais e universidades, e por que pais da ciência, de Mendel a Lemaître, o padre que propôs o Big Bang, eram homens de oração? A aposta de que a humanidade trocaria a fé pela razão sem sentir falta não se confirmou.
Qual a diferença entre mistério legítimo e pseudomistério?
O mistério legítimo produz humildade e espanto; o pseudomistério produz mensalidade de curso. O exemplo é o experimento da dupla fenda, que Richard Feynman chamou de o único mistério da mecânica quântica: partículas se comportam de um jeito quando medidas e de outro quando não. A autoajuda o sequestrou para dizer que a consciência cria a realidade, o que é falso; o que muda o resultado é a interação física da medição, com qualquer aparelho. O mesmo vale para o sagrado de conveniência da energia, da vibração e do universo que conspira. A pergunta-teste é simples: isto me pede algo, ou só me promete? O sagrado verdadeiro sempre pede.
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- 1 Quem você quer ser
- 2 Viver sem mentiras
- 3 A força do bom
- 4 Os dias iguais e os dez segundos
- 5 A cidadela interior
- 6 O corpo que lhe foi confiado
- 7 A mente é um jardim
- 8 A mesa em que você se senta
- 9 O não que preserva
- 10 Como tratar as pessoas
- 11 Quem forma alguém
- 12 A aliança administrada
- 13 Competência antes da paixão
- 14 Dinheiro: servo, não senhor
- 15 Os dois lados da mesa
- 16 Quando tudo der errado
- 17 Pensar sem ser enganado
- 18 O homem e a cidade: liberdade e responsabilidade
- 19 A mentira que contamos a nós mesmos
- 20 Hoje é o milagre
- 21 Para que você foi feito
- 22 A morte como conselheira
- 23 Grandes pensadores do nosso tempo
- 24 O que fica