Villela Stay — Hospedagens InteligentesVillelaStayHospedagens Inteligentes
para Experiências Inesquecíveis.

A força do bom

Ser bom não é ser inofensivo. Primeiro forte, depois bom: a justa medida da raiva em Aristóteles, a grandeza de alma, a recusa de descer de Marco Aurélio, o limite sem culpa, a dignidade no silêncio, as brigas do seu tamanho e a generosidade que não cobra a volta.

Augusto VillelaLeitura de 8 minAula 3 de 24Livro: Capítulo 3

Resumo da aula

  • Ser bom não é ser inofensivo: a bondade só tem peso quando existe a força que ela recusa.
  • Aristóteles colocou a mansidão no meio entre o irascível e quem não se indigna com nada, e acima dela a grandeza de alma, que não se agita com o pequeno.
  • Marco Aurélio resumiu a prática: a resposta à baixeza é a recusa de descer.
  • Daí saem o limite sem culpa, a dignidade no silêncio e as brigas do seu tamanho.
  • E tudo isso se apoia numa generosidade que dá primeiro e não cobra a volta.

Neste artigo

  1. Os dois cães
  2. Bom não é inofensivo
  3. Primeiro forte, depois bom
  4. A justa medida da raiva
  5. A grandeza de alma
  6. A recusa de descer
  7. O limite sem culpa
  8. A dignidade no silêncio
  9. Brigas do seu tamanho
  10. A generosidade vem primeiro

O artigo é lido por partes. Use os botões abaixo para avançar — a aula em vídeo, o artigo em PDF e as práticas ficam no curso.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre ser bom e ser inofensivo?

O inofensivo não machuca porque não tem força nem coragem para isso, e costuma chamar esse receio do confronto de bondade. O bom é quem poderia passar por cima, vencer pela força ou ferir, e escolhe por dentro não fazer. A distinção entre ser perigoso e civilizado ou apenas inofensivo é uma leitura do psicólogo canadense Jordan Peterson, na trilha de Carl Jung. A imagem que resume a ideia é a do cão: o que nunca pôde morder não é manso, é só um cão sem dentes; manso é o cão grande que se deita ao lado da criança. Daí a regra: primeiro forte, depois bom, nessa ordem.

O que Aristóteles ensinou sobre a raiva?

Para Aristóteles, toda virtude é uma justa medida, a mesótes, situada entre um excesso e uma falta. Sobre a raiva, ele chamou de mansidão, praótes, o ponto entre o irascível, que se inflama por qualquer coisa e briga com todos, e aquele que não se indigna com nada, nem diante da ofensa aos seus. A pessoa admirável não é a que nunca sente raiva, mas a que se irrita com as coisas certas, com as pessoas certas, na medida, na hora e pelo tempo certos. O bom não perdeu a capacidade de raiva: domina-a e a aponta para o bem. Acima disso está a magnanimidade, a grandeza de alma.

Por que a generosidade não deve esperar retorno?

Dar antes de pedir e servir antes de cobrar cria em volta uma corrente de boa vontade que a força sozinha não criaria. O livro de Provérbios já dizia que a resposta branda desvia a fúria, e estudiosos como o antropólogo Marcel Mauss e o psicólogo Robert Cialdini investigaram o poder de quem dá primeiro. Mas há uma condição: no instante em que você dá esperando o troco, matou a coisa. Dê porque é quem você é; o que os outros devolvem fala deles, não de você. A ingratidão alheia é informação sobre o outro, não permissão para endurecer. Gentil por padrão, firme quando a justiça exige.

Ir direto para outra aula
  1. 1 Quem você quer ser
  2. 2 Viver sem mentiras
  3. 3 A força do bom
  4. 4 Os dias iguais e os dez segundos
  5. 5 A cidadela interior
  6. 6 O corpo que lhe foi confiado
  7. 7 A mente é um jardim
  8. 8 A mesa em que você se senta
  9. 9 O não que preserva
  10. 10 Como tratar as pessoas
  11. 11 Quem forma alguém
  12. 12 A aliança administrada
  13. 13 Competência antes da paixão
  14. 14 Dinheiro: servo, não senhor
  15. 15 Os dois lados da mesa
  16. 16 Quando tudo der errado
  17. 17 Pensar sem ser enganado
  18. 18 O homem e a cidade: liberdade e responsabilidade
  19. 19 A mentira que contamos a nós mesmos
  20. 20 Hoje é o milagre
  21. 21 Para que você foi feito
  22. 22 A morte como conselheira
  23. 23 Grandes pensadores do nosso tempo
  24. 24 O que fica
Material do curso O Homem Essencial, de Augusto Villela.← Voltar ao Blog
💬