A força do bom
Ser bom não é ser inofensivo. Primeiro forte, depois bom: a justa medida da raiva em Aristóteles, a grandeza de alma, a recusa de descer de Marco Aurélio, o limite sem culpa, a dignidade no silêncio, as brigas do seu tamanho e a generosidade que não cobra a volta.
Resumo da aula
- Ser bom não é ser inofensivo: a bondade só tem peso quando existe a força que ela recusa.
- Aristóteles colocou a mansidão no meio entre o irascível e quem não se indigna com nada, e acima dela a grandeza de alma, que não se agita com o pequeno.
- Marco Aurélio resumiu a prática: a resposta à baixeza é a recusa de descer.
- Daí saem o limite sem culpa, a dignidade no silêncio e as brigas do seu tamanho.
- E tudo isso se apoia numa generosidade que dá primeiro e não cobra a volta.
Neste artigo
- Os dois cães
- Bom não é inofensivo
- Primeiro forte, depois bom
- A justa medida da raiva
- A grandeza de alma
- A recusa de descer
- O limite sem culpa
- A dignidade no silêncio
- Brigas do seu tamanho
- A generosidade vem primeiro
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Perguntas frequentes
Qual a diferença entre ser bom e ser inofensivo?
O inofensivo não machuca porque não tem força nem coragem para isso, e costuma chamar esse receio do confronto de bondade. O bom é quem poderia passar por cima, vencer pela força ou ferir, e escolhe por dentro não fazer. A distinção entre ser perigoso e civilizado ou apenas inofensivo é uma leitura do psicólogo canadense Jordan Peterson, na trilha de Carl Jung. A imagem que resume a ideia é a do cão: o que nunca pôde morder não é manso, é só um cão sem dentes; manso é o cão grande que se deita ao lado da criança. Daí a regra: primeiro forte, depois bom, nessa ordem.
O que Aristóteles ensinou sobre a raiva?
Para Aristóteles, toda virtude é uma justa medida, a mesótes, situada entre um excesso e uma falta. Sobre a raiva, ele chamou de mansidão, praótes, o ponto entre o irascível, que se inflama por qualquer coisa e briga com todos, e aquele que não se indigna com nada, nem diante da ofensa aos seus. A pessoa admirável não é a que nunca sente raiva, mas a que se irrita com as coisas certas, com as pessoas certas, na medida, na hora e pelo tempo certos. O bom não perdeu a capacidade de raiva: domina-a e a aponta para o bem. Acima disso está a magnanimidade, a grandeza de alma.
Por que a generosidade não deve esperar retorno?
Dar antes de pedir e servir antes de cobrar cria em volta uma corrente de boa vontade que a força sozinha não criaria. O livro de Provérbios já dizia que a resposta branda desvia a fúria, e estudiosos como o antropólogo Marcel Mauss e o psicólogo Robert Cialdini investigaram o poder de quem dá primeiro. Mas há uma condição: no instante em que você dá esperando o troco, matou a coisa. Dê porque é quem você é; o que os outros devolvem fala deles, não de você. A ingratidão alheia é informação sobre o outro, não permissão para endurecer. Gentil por padrão, firme quando a justiça exige.
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- 1 Quem você quer ser
- 2 Viver sem mentiras
- 3 A força do bom
- 4 Os dias iguais e os dez segundos
- 5 A cidadela interior
- 6 O corpo que lhe foi confiado
- 7 A mente é um jardim
- 8 A mesa em que você se senta
- 9 O não que preserva
- 10 Como tratar as pessoas
- 11 Quem forma alguém
- 12 A aliança administrada
- 13 Competência antes da paixão
- 14 Dinheiro: servo, não senhor
- 15 Os dois lados da mesa
- 16 Quando tudo der errado
- 17 Pensar sem ser enganado
- 18 O homem e a cidade: liberdade e responsabilidade
- 19 A mentira que contamos a nós mesmos
- 20 Hoje é o milagre
- 21 Para que você foi feito
- 22 A morte como conselheira
- 23 Grandes pensadores do nosso tempo
- 24 O que fica