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A cidadela interior

A paz não é uma circunstância, é uma decisão. As duas colunas de Epicteto, a atenção como moeda que não se imprime, a temperança dos três balcões, o pêndulo do desejo e o exame noturno que fecha o dia.

Augusto VillelaLeitura de 9 minAula 5 de 24Livro: Capítulo 6 (e o desejo e a temperança do Capítulo 5)

Resumo da aula

  • A paz não é uma circunstância, é uma decisão.
  • A cidadela interior tem quatro paredes: a divisão entre o que depende de você e o que não depende, a paz decidida, a atenção governada e o desejo lúcido.
  • E tem um portão, o exame de si, por onde só se entra sozinho.

Neste artigo

  1. A última torre
  2. O imperador que se recolhia
  3. As duas colunas de Epicteto
  4. A paz decidida
  5. A atenção, a moeda que você não imprime
  6. O quarto de Pascal
  7. A temperança dos três balcões
  8. Prazer não é felicidade
  9. O pêndulo e a esteira
  10. Quatro paredes e um portão: o exame noturno

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Perguntas frequentes

O que é a cidadela interior?

Cidadela interior é o nome que o filósofo francês Pierre Hadot deu, no século XX, ao refúgio que Marco Aurélio descrevia nas suas anotações: o recolhimento para dentro de si, mais tranquilo que qualquer retiro no campo ou na praia. A imagem vem da última torre dos castelos antigos, que resistia mesmo quando as muralhas caíam. A cidadela tem quatro paredes: a divisão entre o que depende de você e o que não depende, ensinada por Epicteto; a paz decidida; a atenção governada; e o desejo lúcido. E tem um portão por onde só se entra sozinho, o exame de si. A tese é que a paz não é circunstância, é decisão.

Por que a atenção é o recurso mais valioso?

Porque é finita e define a vida. O psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi concluiu que a atenção é energia psíquica limitada, que se constrói ou se dissolve conforme o destino para onde é dirigida; administrá-la é administrar a existência. As horas acordadas são um número fixo, e cada uma está sendo investida em alguma coisa. Em 1971, o economista Herbert Simon já avisava que a informação abundante consome a atenção de quem a recebe. Hoje, gente muito bem paga trabalha para capturá-la. Recusar a distração deixou de ser hábito de monge e virou vantagem: o foco deve ser defendido como quem defende dinheiro, porque vale mais.

Como fazer o exame de consciência no fim do dia?

O exame noturno é encerrar o dia com um pequeno tribunal: onde acertei, onde falhei, o que corrijo amanhã. A dificuldade é que, nesse tribunal, você é ao mesmo tempo réu, juiz e o advogado de defesa mais talentoso do mundo, porque a mente fabrica boas desculpas para o que já decidiu fazer. A honestidade interna é a virtude mais rara, pois não tem plateia. Montaigne falava de uma loja dos fundos, um cômodo só seu onde a pessoa conversa consigo, e Paul Tillich distinguiu solidão, a dor de estar sem os outros, de solitude, a glória de estar consigo. O exame corrige o rumo antes que o erro vire caráter.

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  1. 1 Quem você quer ser
  2. 2 Viver sem mentiras
  3. 3 A força do bom
  4. 4 Os dias iguais e os dez segundos
  5. 5 A cidadela interior
  6. 6 O corpo que lhe foi confiado
  7. 7 A mente é um jardim
  8. 8 A mesa em que você se senta
  9. 9 O não que preserva
  10. 10 Como tratar as pessoas
  11. 11 Quem forma alguém
  12. 12 A aliança administrada
  13. 13 Competência antes da paixão
  14. 14 Dinheiro: servo, não senhor
  15. 15 Os dois lados da mesa
  16. 16 Quando tudo der errado
  17. 17 Pensar sem ser enganado
  18. 18 O homem e a cidade: liberdade e responsabilidade
  19. 19 A mentira que contamos a nós mesmos
  20. 20 Hoje é o milagre
  21. 21 Para que você foi feito
  22. 22 A morte como conselheira
  23. 23 Grandes pensadores do nosso tempo
  24. 24 O que fica
Material do curso O Homem Essencial, de Augusto Villela.← Voltar ao Blog
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