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A mentira que contamos a nós mesmos

Libertação não é ausência de vínculos; é saída da mentira. O fingimento que engana o próprio ator, a verdade que liberta e dói, a última das liberdades de Frankl, o tamanho real das coisas, o perdão como quem solta a ponta da corrente — e a régua que separa pessoa, comportamento, ideia e política nos temas em que o nosso tempo aprendeu a mentir com elegância.

Augusto VillelaLeitura de 6 minAula 19 de 24Livro: Capítulo 21

Resumo da aula

  • A liberdade que importa não é ausência de laços, é saída da mentira.
  • Os carcereiros de verdade — medo, vaidade, ressentimento, fome de aprovação — viajam na mala, e o mais perigoso dos enganos é o fingimento que engana o próprio ator.
  • A verdade liberta e dói, porque o que não se vê governa em silêncio.
  • Há uma parte de cada um que nada alcança sem a própria assinatura.
  • Devolver a cada coisa o seu tamanho e soltar a ponta da corrente pelo perdão são as duas formas práticas dessa libertação.

Neste artigo

  1. A chave no bolso
  2. Libertação é saída da mentira
  3. O fingimento
  4. A verdade liberta — e dói
  5. A última das liberdades
  6. O tamanho real das coisas
  7. Soltar a ponta da corrente
  8. Pessoa, comportamento, ideia e política
  9. Três verdades e a etiqueta da pobreza
  10. Um trabalho de tirar

O artigo é lido por partes. Use os botões abaixo para avançar — a aula em vídeo, o artigo em PDF e as práticas ficam no curso.

Perguntas frequentes

O que significa dizer que libertação é saída da mentira?

A ideia é de Olavo de Carvalho e desmonta a noção barata de que ser livre é não dever nada a ninguém. Largar o emprego, o casamento, o país ou a religião não liberta por si só, porque os carcereiros de verdade, o medo, a vaidade, o ressentimento e a fome de aprovação, viajam na mala. A liberdade que importa começa quando a consciência aceita um fato que fere a imagem que a pessoa tem de si. O engano mais perigoso é o que Olavo chamava de fingimento: uma personagem tão convincente que engana o próprio ator. O remédio é comparar o que eu disse que queria, o que fiz e quem pagou a conta.

O que Viktor Frankl chamou de última das liberdades humanas?

Frankl chamou de última das liberdades humanas a de escolher a própria atitude diante do que acontece. Num campo de concentração, tiraram dele família, nome, roupa e futuro, mas restou uma liberdade que guarda nenhum podia confiscar: decidir quem ele seria enquanto aquilo acontecia. O que vem de fora pode ser desgraça e injustiça; o que se instala por dentro precisa, em algum grau, do nosso consentimento, e o que se consente pode ser retirado. Na prática, isso inclui devolver a cada coisa o seu tamanho real, já que a mentira infla o que não depende de nós. É treino de atitude, não orientação médica: ansiedade se trata com profissional.

O que é perdoar de verdade?

Perdoar, de longe, parece fraqueza; de perto, é o contrário. Enquanto você odeia quem o feriu, os dois ficam presos um ao outro, e o ofensor passa a morar de graça na sua cabeça, muitas vezes sem saber. A corrente tem duas pontas, e uma delas está na sua mão. Perdoar não é dizer que não doeu, nem fingir que foi justo, nem voltar ao perigo: voltar a se expor a quem machuca não é perdão, é ingenuidade. É recusar que a própria identidade continue organizada em torno da ferida. No fim, perdoa-se menos pela pessoa que feriu e mais por si mesmo, para não viver amarrado a quem já foi embora.

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  1. 1 Quem você quer ser
  2. 2 Viver sem mentiras
  3. 3 A força do bom
  4. 4 Os dias iguais e os dez segundos
  5. 5 A cidadela interior
  6. 6 O corpo que lhe foi confiado
  7. 7 A mente é um jardim
  8. 8 A mesa em que você se senta
  9. 9 O não que preserva
  10. 10 Como tratar as pessoas
  11. 11 Quem forma alguém
  12. 12 A aliança administrada
  13. 13 Competência antes da paixão
  14. 14 Dinheiro: servo, não senhor
  15. 15 Os dois lados da mesa
  16. 16 Quando tudo der errado
  17. 17 Pensar sem ser enganado
  18. 18 O homem e a cidade: liberdade e responsabilidade
  19. 19 A mentira que contamos a nós mesmos
  20. 20 Hoje é o milagre
  21. 21 Para que você foi feito
  22. 22 A morte como conselheira
  23. 23 Grandes pensadores do nosso tempo
  24. 24 O que fica
Material do curso O Homem Essencial, de Augusto Villela.← Voltar ao Blog
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