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Hábitos e motivação

A gente não age porque está motivado; fica motivado porque agiu. Como o hábito se forma por repetição num contexto estável, as alavancas que funcionam (quando e onde, versão mínima, atrito), como largar um hábito, as três necessidades da motivação e por que disciplina é arquitetura, não músculo.

Augusto VillelaLeitura de 6 minAula 8 de 25Livro: Capítulos 12 e 13

Resumo da aula

  • Motivação é mais consequência da ação e do progresso do que sua causa.
  • Hábito é a transferência de um comportamento para o automático, construída por repetição num contexto estável, e as alavancas que funcionam são dizer quando e onde, começar pela versão mínima, mexer no atrito nos dois sentidos e registrar de forma visível.
  • Para largar um hábito, é preciso trocar, não só tirar.
  • Quando falta tração, costuma faltar autonomia, competência ou vínculo, e não esforço.
  • Disciplina é arquitetura de ambiente e rotina, não resistência heroica.

Neste artigo

  1. Dez minutos e nunca falhar duas vezes
  2. A ação produz a motivação
  3. Hábito é delegação
  4. Gatilho, comportamento, recompensa
  5. Quando e onde, e a versão mínima
  6. Atrito, nos dois sentidos
  7. Identidade, e como largar um hábito
  8. Autonomia, competência e vínculo
  9. Recompensa e disciplina
  10. Antes de culpar a motivação

O artigo é lido por partes. Use os botões abaixo para avançar — a aula em vídeo, o artigo em PDF e as práticas ficam no curso.

Perguntas frequentes

Quanto tempo leva para criar um hábito?

Não existe número mágico. Hábito se forma por repetição num contexto estável, e o tempo varia muito entre pessoas e comportamentos: beber água ao acordar automatiza rápido, ir à academia demora bem mais. No curso, 21 dias é o prazo de um experimento, tempo para repetir, ajustar e decidir se o hábito fica, e não a promessa de que no dia seguinte ele estará pronto. Os trabalhos de Wendy Wood mostram que a estabilidade do contexto pesa muito nesse processo, e por isso, quando o contexto muda, hábitos antigos se desfazem com facilidade. Se o hábito passou no teste, continue.

Como ter motivação quando não tenho vontade?

Comece pela ação, porque na maior parte do tempo a motivação vem depois dela. A regra dos dez minutos ajuda: faça só dez minutos e, se a vontade não aparecer, pare sem culpa. Quase sempre ela aparece no meio do caminho. A pesquisa de Teresa Amabile sobre o princípio do progresso mostra que o progresso percebido é um dos preditores mais consistentes de engajamento. Quando você perde a vontade por algo que importava, veja qual das três necessidades da teoria de Deci e Ryan está faltando: autonomia, competência ou vínculo. E, antes de culpar a motivação, confira sono, movimento e convívio.

Como largar um mau hábito?

Troque em vez de só tirar. O comportamento que você quer largar costuma atender a alguma necessidade, como tédio, ansiedade, solidão, cansaço ou pausa; tirar sem trocar deixa um vazio, e o hábito antigo volta para ocupá-lo. Use o atrito: cada passo entre você e um comportamento diminui a chance de ele acontecer, e a decisão é tomada uma vez, ao arrumar o ambiente, e não cem vezes por dia. Disciplina que funciona é arquitetura, não músculo: quem tem melhor autocontrole se expõe menos à tentação. E alguns comportamentos não se resolvem por arquitetura de hábitos; reconhecer isso é competência.

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Material do curso O Homem Contemporâneo, de Augusto Villela.← Voltar ao Blog
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